quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Intolerância Religiosa

Hoje é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
O 21 de janeiro, como Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, foi instituído pelo presidente da República com a Lei Nº 11.635, em 27 de dezembro de 2007.

A data foi escolhida para coincidir com o aniversario de morte da Yalorixá (Mãe de Santo) Gilda de Ogum, que morreu de infarto fulminante em 2000, após ter seu terreiro invadido duas vezes por religiosos contrários a suas práticas e ver sua foto ilustrando matéria de teor depreciativo veiculada por jornal religioso.

A Intolerância Religiosa não é algo que atinge apenas uma religião, não é não. Cada qual ao seu grau.

O que acontece é que no Brasil nenhuma outra religião foi tão massivamente e históricamente perseguida como as religiões denominadas afro-brasileiras, entre elas, Umbanda e Candomblé.

Mas por quê? De onde vem tanto preconceito com as religiões afro-brasileiras?

Um estudo mais aprofundado nos mostra que o motivo primórdio deste preconceito é justamente por ser AFRO-brasileira. Como tudo que veio da África, como tudo que está relacionado ao negro, por melhor que seja, sofre ou já sofreu, muito preconceito.

E é mesmo histórico. Na época do Império, o Código Criminal do Império, de 1830, considerava crime o culto de religião que não fosse a oficial.

Em 1832, um Decreto obrigou os escravos a se converterem a religião oficial. Quem não se convertesse e continuasse a realizar suas práticas religiosas originais era acusado de Feitiçaria e castigado com Pena de Morte. Até 1976, havia uma Lei no Estado da Bahia que obrigava os Templos das religiões de Matriz Africana a se cadastrarem na Delegacia de Policia mais Próxima.

Aqui em Bauru nós nunca tivemos esta lei, mas em conversa com sacerdotes e sacerdotisas mais velhos, atestamos que muitas vezes para se abrir um templo de umbanda ou candomblé alguns tinha que manifestar mediunicamente (incorporar) na frente de delegados e policiais. Quer absurdo maior?

Ainda hoje muitos templos de umbanda e candomblé são depredados, sacerdotes e sacerdotisas são agredidos, adeptos das religiões afro-brasileiras são discriminados, crianças da umbanda e do candomblé sofrem preconceitos nas escolas. E tudo isso, na maioria das vezes, causado por pessoas incitadas ao ódio por determinados programas de rádio e TV que se ocupam diariamente em difamar as religiões afro-brasileiras.

É, as religiões afro-brasileiras continuam sendo a bola da vez, mas isso tende a mudar. Pois a busca pelo poder fará certa orientação religiosa atacar todas as outras como atacam hoje as de matriz africana.

E ai me lembro de um sábio pastor luterano alemão, chamado Martin Niemöller, que em certa ocasião, em 1933, disse assim:

"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar”.

A luta pela liberdade religiosa, pelo respeito religioso de fato, deve ser de toda a sociedade, de todas as orientações religiosas.

Pois a manifestação da fé individual e coletiva é a manifestação do que o ser humano tem de mais puro, de mais sagrado, e não deve ser reprimido nunca. Vale o velho ditado: Meu direito acaba onde começa o seu.

Por Ricardo Barreira

Um comentário:

  1. /gostaria de um posicionamento quanto à proibiçao da linha de Ogum /xoroque no Terreiro do Pai Maneco e aos termos grosseiros e discriminativos com que se referiu à entidade na semana de Ogum, e após ser duramente criticado no seu blog, alem de se referir às pessoas que pensam de forma contraria, pois como ele proibe algo que nao conhece, como ele mesmo afirmou? Considero ofensivas as declaraçoes do dirigente do /terreiro Pai Maneco e passiveis de açao tanto cível quanto penal pois mesmo sendo bacharel em direito utilizou-se de conduta descrita nos crimes de injuria,e passivel de açao por danos morais pois no meu caso, descobri meu Orixa na semana de Ogum, fui jogar obi ja ciente pois entidades me disseram que ganharia "um presente" que ajudaria muitas pessoas.Presente maravilhoso que muito me honrou porem estou doente nunca mais dormi a noite, depois de ler o postado no tema 31 e 32 que sera tirado do ar em 8 dias, pois o referido dirigente indignou-se tanto com as alusoes à sua vaidade que chamou de 'rale' e outras coisas no genero. tambem tive meu direito a defesa de meu pai cerceado, pois mesmo logada, nao postou "meu discurso penal de defesa" em prol de Ogum. Nao me interessa de forma alguma frequentar mais aquela casa. Mas sera que o Ogum que veio para cuidar de todos, que me faz levantar os caidos na rua, e listar todos os sofredores que encontro no caminho e por eles rezar, bem como travar injustas agressoes e manter a ordem onde "nos estamos" nao merece que seja impetrado habeas corpus?? ooops. e nao ha Habeas spiritus na nossa Carta Magna. /Nao entendam como denuncia ou similar. apenas a defesa de uma filha que tem humildade suficiente para reconhecer que somos todos iguais perante Deus e nao importa se somos doutores ou semi-alfabetizados.Inayara.

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